Práticas sustentáveis de moda pelas estilistas da Jouer Couture

by Fashion Revolution Brasil 4 weeks ago
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Quando fomos convidadas a escrever um texto para o blog do Fashion Revolution Brasil, ficamos mais do que honradas, pois uma das nossas missões enquanto marca é gerar conteúdo e informação para colaborar com a conscientização de uma moda com propósito.

Pensando em um tema para elaborar esse post, achamos que um bom caminho seria dividir a nossa trajetória na implementação de matérias-primas e práticas sustentáveis.

Sabemos que a sustentabilidade é dividida em quatro pilares: ambiental, social, cultural e econômico. Iniciamos nossa mudança pelo social, através da parceria com a Ong Design Possível, que nos apresentou a Oficina Pano Pra Manga, um grupo de mulheres que estavam fora do mercado de trabalho, aprenderam uma nova profissão e hoje gerenciam seu próprio negócio.

Na sequência vieram as mudanças de matérias-primas. O algodão é a base de um dos principais tecidos da indústria da moda. E o seu cultivo, quando não orgânico, gera graves impactos, inclusive doenças que causam a morte dos agricultores por ficarem expostos aos pesticidas.

Ele é uma das culturas mais impactantes que cultivamos, usando 11.000 litros de água em média por cada quilo de algodão produzido. A maioria das plantações de algodão são irrigadas drenando água subterrânea, lagos e rios, ameaçando ecossistemas, vida selvagem e disponibilidade de água para outras necessidades humanas.

De toda a água utilizada na produção de algodão, até um quinto poderia ser usado para tentar diluir a poluição.

Vale a pena checar o instagram da @jouercouture, onde são postados diversos dados relacionados aos impactos da indústria da moda.

Já o algodão orgânico traz muitos benefícios em seu cultivo: em vez de irrigada, até 80% da sua produção é alimentada pela chuva.  O impacto da poluição da água na plantação de algodão orgânico, mostrou-se 98% menor do que na produção de algodão não orgânico.

Além disso, as práticas orgânicas exigem que os produtores de algodão mantenham seus solos saudáveis, pois assim apresentam melhor retenção e absorção de água proveniente da chuva ou da irrigação. Conclui-se que os solos orgânicos utilizam melhor os insumos de água e são mais resistentes em condições de seca. Ao eliminar o uso de pesticidas sintéticos e fertilizantes, o algodão orgânico mantém os cursos de água seguros e limpos.

Em tecidos como jeans, por exemplo, que tem o algodão em sua composição, consome-se em média 10.850 litros de água por peça (dados referentes ao ciclo da planta, passando pelo processamento, tingimento, acabamento, transporte e lavagem).

Essas informações são alarmantes e nos fazem pensar em alternativas para diminuir tantos impactos ao planeta. Encontramos soluções em fornecedores como a Aradefe, uma tecelagem que trabalha também com algodão orgânico, e consegue atender pequenas quantidades por um preço justo. Inclusive, conhecemos essa empresa através da plataforma Moda Limpa, que é uma agenda de fornecimento da moda “do bem” 🙂

Camisetas da Jouer Couture de algodão orgânico manufaturado pela Aredefe. Foto: Divulgação Jouer Couture.

Há algum tempo também fomos apresentadas aos lançamentos sustentáveis da Santista Jeanswear. Eles desenvolveram um tecido chamado Upcycle, o primeiro denim feito a partir de fibras 100% recicladas, resultando zero resíduo de algodão, além de tecidos com lavanderia Acqua Save, que reduz o montante de água utilizado nesse processo da indústria.

Ampliando as opções de tecidos sustentáveis, conhecemos o CO2 control, da Santa Constancia. Esta malha é composta por um fio de poliamida aprimorado para permitir que roupas feitas a partir deste material se decomponham rapidamente após descarte em aterro sanitário. A decomposição, que antes demorava décadas para ocorrer na poliamida, agora acontece em 50% no primeiro ano e, em 3 anos, o artigo já está totalmente decomposto.

Maiô da Jouer desenvolvido com a poliamida mais rapidamente biodegradável da Santa Constancia. Foto: Divulgação Jouer Couture.

Além das opções de compra, também existem as de reaproveitamento, como o Banco de Tecido. Eles recolocam no mercado aqueles tecidos que estavam parados e podemos ter acesso comprando por kilo ou até mesmo trocando. Sim, os tecidos que estão sem uso em casa são válidos como moeda de troca por lá! Incrível não? E foi através dessa inciativa que construímos 80% da “Comigo Ninguém Pode”, coleção da Jouer Couture apresentada em novembro, na Brasil Eco Fashion Week!

A empresa Focus Têxtil também tem um programa de reaproveitamento de seus retalhos de tecidos e foi nossa parceira no desfile. Eles doam as sobras de tecido para capacitar costureiras, isso é super importante!

Look feito de retalhos do Banco de Tecido, sendo desfilado no BEFW. Foto: Marcelo Soubhia / Agencia Fotosite.

Através dessas duas iniciativas transformarmos o que antes era um problema – encontrar uma quantidade de tecido de reuso suficiente para produzir uma grade de peças – em uma saída. Optamos por fazer o possível com o que temos disponível, sem gerar mais resíduos e sim, aproveitando eles. Dessa maneira, conseguimos chegar em uma nova série de peças, feitas 100% com tecido de reaproveitamento!

Assim, você dificilmente encontrará na Jouer Couture peças do mesmo modelo, com o mesmo tecido. Vez ou outra isso será possível, a depender da disponibilidade, mas quando não for, terá uma peça exclusiva, com um tecido que ninguém mais tem (e pelo mesmo valor!).

Essa metodologia se estende aos parceiros de atacado, com a única diferença que, se o pedido for maior, temos condições de comprar em tecelagens que levantam a bandeira e apresentam boas (e reais) soluções para os pilares que trabalhamos.

Há uma infinidade de recursos disponíveis para que a sustentabilidade se faça cada vez mais presente na moda. O importante é começar, caçar informações (sim, elas estão cada vez mais acessíveis!) e tentar fazer melhor sempre. Um trabalho de formiguinha mesmo.

Precisamos ter em mente que o planeta é nossa casa, e tem recursos vitais esgotáveis. Vamos fazer a nossa parte!

Beijos,

Carolina Olyveira e Mariana Bonfanti

#jouercrew

Fontes: Ethical Fashion Forum, Site Santa Constancia, Site Santista Jeanswear